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Shantala, o Toque que traz vida
 
“Sim! O bebê tem necessidade do leite.
Mas muito mais de serem amados e receberem carinho.”(Leboyer)
 
Existem muitas técnicas de massagem para os adultos, já para os bebês e crianças há uma técnica de massagem indiana milenar, tão antiga que não se sabe precisar sua origem. É muito comum na Índia encontrar nas ruas e praças públicas mães massageando seus bebês, num hábito cotidiano de cuidado e carinho. E foi assim, ao acaso que a massagem foi descoberta pelo médico ginecologista e obstetra francês, Dr. Frédérick Leboyer. Numa de suas viagens à Índia, ele avistou uma jovem mãe massageando o seu bebê numa rua de Calcutá. Encantado com a cena de expressão e carinho pediu que a mãe se deixasse ser fotografada. Na década de 70 o livro foi publicado no ocidente e a massagem que até então não tinha nome, recebeu o nome de Shantala, esse era o nome da jovem mãe.
 
Desde esse encontro casual, Shantala vem se tornando cada vez mais popular, por proporcionar relaxamento, bem estar ao bebê e momentos de intimidade em família.
 
A massagem consiste em movimentos lentos e harmoniosos, suaves compressões e alongamentos passivos por todo o corpo do bebê, tais como: peito, braços, mãos, barriga, pernas, pés, costas e rosto.
 
Mais do que uma simples técnica de massagem, Shantala é uma forma dos pais transmitirem amor através das mãos, do toque para os bebês, estreitando o vínculo afetivo. O toque é a primeira forma de comunicação do bebê e abrir-se para essa forma de comunicação é estabelecer um canal de comunicação na linguagem que o bebê entende.
 
O toque remete a lembranças corporais intra-útero, o tato esse órgão do sentido começa a se desenvolver na 16.a semana gestacional e é muito vivenciado pelo bebê, pois é tocado pelas estruturas do útero da mãe e nas carícias que a mãe faz na barriga. Ao ser tocado após o nascimento, o bebê se lembra daquela sensação de segurança e sente-se protegido. Portanto, massagear o bebê assegura continuidade na relação íntima vivida intra-útero.
 
Shantala além de fortalecer o vínculo afetivo, é muito procurada pelas mães por promover melhor qualidade do sono, melhor funcionamento gastrointestinal, minimizando cólicas, gases e prisão de ventre, estimula resistência imunológica, reduz estresse, amplia respiração, auxilia no desenvolvimento sensório-motor, favorece o ganho de peso, crescimento físico e favorece a formação da imagem corporal do bebê.
 
A massagem é realizada com o bebê desnudo, sobre as pernas estendidas da mãe, sentada no chão, mas não em contato direto com o solo. A coluna deve estar ereta e os ombros relaxados, se necessário use almofadas para apoiar a região lombar. Também é indicado retirar anéis e pulseiras. O local deve estar tranqüilo, aquecido e acolhedor, a música é opcional. Usa-se óleo de origem vegetal para facilitar o deslizamento das mãos. A aplicação dura de 15 a 30 minutos, dependendo da idade do bebê e aceitação ao toque. A partir de um mês de vida os bebês já podem receber Shantala, respeitando-se apenas a cicatrização umbilical e a descamação da pele. Não há restrições em iniciar Shantala com crianças mais velhas, necessitará apenas de adaptações quanto à postura da massagem.
Permita-se encontrar esses momentos diários de contato com o bebê, alimentando-o através do toque, onde as palavras não alcançam.
 





Denise Gurgel Barboza
Fisioterapeuta
CREFITO 34310-F
Curso Shantala: www.cursoshantala.com.br





Vamos Slingar


“ O sling imita a posição natural dos braços maternos ao carregar o bebê. Ele segue a linha natural da coluna do bebê e não a pressiona diretamente em nenhum ponto.
Ao transportá-la dessa maneira, e mais ainda na posição vertical, você estará prevenindo a regurgitação e reduzindo a formação das cólicas, favorecendo a digestão.
Quando a criança começa a sentar, o sling também permite o novo movimento, ainda sendo vantajoso, pois mantém as perninhas juntas, não forçando-as a se manter abertas, numa fase em que as articulações do quadril ainda estão se formando. 
A criança / o bebê ao ser transportada num sling usufrui de movimento, prazer, calor humano, segurança e todos os sons ao qual estava acostumado na barriga. Os movimentos da mãe e o som de seus batimentos cardíacos estimulam seu sistema nervoso, particularmente o sistema que controla o equilíbrio do corpo.
  
O movimento experienciado pelo bebê num sling o encoraja a dormir durante e depois de ser transportado. O slingar favorece o desenvolvimento do senso de balanço, dos músculos do pescoço e das costas e de todos os aspectos psicomotores. Contrariando o que poderíamos pensar, crianças sentam e andam mais cedo nos países onde essa cultura predomina.”

  

Exterogestação 

   
“Os bebés estiveram durante muitos séculos separados do “resto de nós” por um véu de ignorância. Até há poucas décadas, a visão comum sobre o recém-nascido baseava-se nas limitações óbvias que o seu tamanho, peso e poder muscular impunham. Ele era encarado como um tubo de alimentação e dejecção, insensível ao ambiente que o rodeava, com expressões de riso e de dor consideradas como meros reflexos aleatórios.

Na realidade o jovem humano nem como criança era levado a sério, e só começava realmente a ser encarado como um ser humano completo quando se aproximava da idade da adolescência. A partir do início do sec, XX pedagogos e psicólogos começaram a dar importância ao desenvolvimento da criança, e na década de setenta assistiu-se ao florescimento da investigação acerca do recém-nascido, e do próprio feto ainda no ventre da mãe, em várias áreas e com diferentes tecnologias e métodos de estudo. No entanto deparamos ainda hoje em demasia com o referido véu, e é urgente que desapareça.

No desenvolvimento humano observam-se quatro dimensões da totalidade do ser: física, emocional, mental e espiritual. Estas dimensões estão interligadas num processo contínuo de desenvolvimento e considera-se didáctica a rigidez da sua cronologia. Entende-se, no entanto, que a primeira a manifestar-se, a dimensão física, se consolida a partir da concepção até cerca dos 6 a 9 meses de idade. O nascimento divide esta fase em duas partes distintas: Uterogestação e Exterogestação, designação proposta pelo psicólogo John Bostock, atribuindo a ambas o mesmo período de duração de 40 semanas. Quanto a exterogestação, pós o nascimento o bebé relaciona-se ao mesmo tempo com o novo mundo e, na sua experiência referencial, com "o mundo antigo", totalmente contido e nutrido numa existência fusional. É através da qualidade da relação fisico-emocional da unidade mãe-bebé que esses dois mundos serão ligados harmoniosamente.” É justamente aí que entra o sling!!! O sling possibilita que esta ligação aconteça de forma espontânea e confortável. O sling pode simular uma espécie de útero materno, já que o bebê fica sentindo o calor da mamãe e movimentando-se juntamente à ela, como quando o bebê ainda estava dentro da barriga. O carinho é extremamente importante nessa fase... Afinal, o bebê se desenvolve pela forma como a mãe o estimula, carrega, assegura e o escuta na expressão das suas necessidades, das suas mensagens. Ele pede para ser ouvido com o coração para que possa ser entendido.